quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sobre o nosso amor, ele é a minha maior conquista. E não é porque sou uma pessoa de pequenos feitos, mas porque ter honra de ser amado por alguém da sua magnitude, darlin', é a maior graça que pode ser concedida a um ser que refresca suas células com oxigênio. 
"Os opostos se atraem". Bem verdade, mas só funciona com os ímãs.
Somos, nós dois, tão semelhantes como os lados do triângulo equilátero e tão iguais qual os ângulos de um quadrado. Somos, eu e você, a união improvável que a nave Coração de Ouro jamais seria capaz de calcular; a carta mágica para a qual não existe negação... Somos o puro amor, servido na fonte e bebido das mãos em goles de quem viveu no deserto por dezesseis ou dezoito anos.

Do tempo, ele é nosso, minha princesa.
Sim, você é a minha princesa, mesmo não sendo eu príncipe algum. E aqui eu dou risada do fato de não ter um castelo, um reinado. 
Mas, se é bem verdade que o tempo é nosso, vou confiar na sorte de construir nossa vida a partir daqui, ok? Isso -claro- se você, minha donzela, não se importar em dividir comigo um castelo de 4 janelas e mesa na área dos fundos... se não se incomodar de envelhecer junto comigo entre as paredes de concreto que nos protegerão da angústia que é o mundo, da dor que reina fora dos nossos domínios Reais...

...se não se importar de ser minha pro resto da minha vida, porque eu já sou seu até o dia em que suas células se cansarem... e além. 

Nota: a mesa de madeira nos fundos é pra jogar Yu Gi Oh! com os meninos todo sábado de tardezinha, certo, amor? .---.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Do amor e das coisas boas

Amar –antes de tudo- é gostar. Gostar bastante.
Por isso que quem gosta muito de cantar diz que ama cantar; e por isso também fala aquele que, indagado sobre tal livro, responde que por ele sente amor.

Amar é gostar bastante.
E gostar é ter gosto em algo ou alguém; é sentir prazer com aquilo ou aquele.
Vai-se de prazer em prazer e nasce, assim meio que de repente, o que chamamos amor.
Bastante não é só o que basta, o que cabe. Bastante é o que é muito, e não raras vezes sobra e passa.


Gostar de ver, de falar e de ouvir determinada pessoa é o exemplo.
Se gostamos de quem nos gosta, daí gosta-se em duo de beijar, abraçar, tocar e sentir tudo quanto se tem em pares  –porque tudo que se tem é bom e tudo que é bom suscita prazer. E a gente gosta de prazer.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Nutrientes.


Ele tinha esse hábito de tomar muito café.

Começara com isso no tempo de cursinho, tempo de vestibular. Naquela correria louca que faz a gente perceber desde cedo que nosso corpo precisa de muito além daquilo que mata a fome e a sede. 
E perceberia mais tarde, também, que esse negócio que os ingleses chamam de "my body" quando olham pro espelho nem é tão engenhoso assim. O seu, por exemplo, não era mais do que cinqüenta e alguns quilos de um bocado de coisa que o faziam interpretar mal o papel de peso no mundo.

Mas ele gostava muito de café.

Talvez não fosse errado dizer que ele precisava mais do que gostava, mas essa história é sobre a vontade - e aqui cabe pensar um pouco sobre a linha tênue que separa anseio de necessidade; que distingue o “eu quero” do “eu preciso”. Hábito e vício.

Pediu a terceira xícara de expresso.

Era numa livraria. Encontrava-se sentado em uma cadeira bonitinha e desconfortável; com os cotovelos apoiados sobre uma pequena mesa redonda para dois.
Parecia estar triste. Ser triste. (os ingleses sabem a diferença entre ser e estar?)
Olhava para todas as pessoas que passavam por ali como quem olha para as pessoas que passam com vontade chamá-las para sentar e tomar um cafezinho...
Olhava para a sua sobremesa favorita à sua frente – um generoso pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate- e não via nada além de um amontoado bonito de nutrientes.

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